RÁDIO DIFUSORA

Um pouco da História que poucos conhecem...



Você sabia que a Rádio Difusora surgiu de uma necessidade comercial?

  

Impedido de continuar divulgando seus anúncios comerciais, seu Pizoli não se deu por vencido, tinha de encontrar uma saída para o impasse criado. Nas oficinas da Casa Coates procurou ele mesmo fazer um transmissor e deu certo. Com o transmissorzinho fazendo as irradiações em caráter experimental tratou da regularização do mesmo e respectiva autorização,  no órgão do Ministério competente para conceder o que foi o segundo canal em OM (ondas médias) para operar em Porto Alegre.Como tinha participação nos negócios com o senhor Coates, inglês naturalizado Uruguaio e com comércio estabelecido em Montevidéu, mantinha correspondência assídua com o mesmo, e daí o fato de quando o informava sobre o novo empreendimento comercial o cognominá-lo de uma difusora, linguagem mais entendida pelos castelhanos, passando a ser para nós designada de Rádio Difusora. 
Oficializada e liberada a documentação foi montado o transmissor, potente e atualizado com o auxílio do Sr. Alcântara, técnico renomado dos correios e telégrafos e inventor de um aparelho especial para o telégrafo. A participação de seu Pizoli, como técnico improvisado foi grande. As instalações foram no morro acima do Asilo Padre Cacique, hoje chamado morro  Difusora. Duas torres de ferro auto-suportadas e de mais de 70 metros foram montadas para transmitir as ondas sonoras.
Os estudos sobre propagação de som para OM não eram os mais recomendados, predominando a lógica, como é atualmente para a televisão e FM, de quanto mais no alto as torres mais varredura de sinal. Posteriormente foi entendido ser o básico para a propagação do sinal irradiado, o sistema de terra em lugar úmido, naturalmente sempre mais encontrado em locais baixos e de banhados. Não desprezando a conveniência de associar a altura com a técnica da umidade na base das torres.Já enfermo e desenganado quanto a sua saúde, senhor Pizoli pediu-me que procurasse um morro em volta de Porto Alegre com estes requisitos. Pus-me em campo e, realmente no morro da polícia encontrei o local pretendido, com uma belíssima lagoa no seu ponto mais elevado. Quando da instalação da primeira televisão, Piratini, uma das duas torres serviu para a instalação de seu sistema irradiante. A outra foi desmontada e levada para as novas instalações da Difusora em local mais adequado.A rádio que modestamente fora montada nas oficinas da Casa Coates, com a finalidade precípua de difundir e alardear sobre os produtos eletro domésticos comercializados tomou impulso, se popularizou e influiu pela originalidade de sua programação e inteligência de suas mensagens até os dias de hoje. Ainda em nosso Estado os que vão comprar um refrigerador chegam dizendo desejar adquirir uma Frigidaire. Decorre este denominativo do fato de que em quase todos os espaços comerciais estar inserida uma mensagem comercial: “Não compre um refrigerador, compre um Frigidaire”.A programação diária começava com uma aula de ginástica (tão em moda hoje) dirigida por professor especializado e acompanhada ao vivo por  um dos mais talentosos que já tivemos: Aderbal D’Àvila. Com a direção artística nas mãos de Nelson Lança supervisionada pelo fundador da emissora foram criados programas que marcaram época e se continuaram pelos anos.
Programação de calouros animada por Piratini, grande flautista e conjunto regional próprio. Hoje ainda é o forte das programações ao vivo nas televisões. Rádio teatro típico e autenticamente nosso: os serões da Dona Generosa (com um elenco dos mais destacados) Cláudio Real como negrinho dos recados, Kraemer de Oliveira, o Gago e outros personagens típicos.

Registro no Livro A Música que Embalou o Rádio/2003


Pela movimentação artística infantil e juvenil passaram Merecilda Pizoli aluna preferida de Margarida Lopes de Almeida, renomada poetisa e de tradicional família de poetas, Ione Pacheco. Na locução Mário Sirpa, João Bergman o popular cronista JB da folha da tarde, Lia Pires. A única empresa de publicidade era a de Arthur Canto, cuidando mais das contas da Guaspari Magazine. Os anúncios comerciais eram arrancados mais na base da "picaretagem", como se diz atualmente. Um quadro de funcionários especializados, com persistência e habilidade trazia os comerciais.
A Praça de São Paulo praticamente não atuava, no Rio era mantido um representante para tratar dos assuntos oficiais e receber alguma publicidade da Sidney Ross e Toddy. A pessoa que tudo decidia no Brasil sobre rádio era o então temido dr. Brandão. A figura circunspecta e autoritária com poder  absoluto sobre todos os assuntos ligados a transmissões.
Lembro certa feita, em que acompanhando o Guimarães fomos, como deferência especial cumprimentá-lo, timidamente o Guimarães abriu a porta de acesso a sua enorme sala e lá no fundo de sua singela peça estava sentado em uma modesta escrivaninha o dr. Brandão. Acenou para nos aproximarmos não dando nenhuma oportunidade de uma conversa implicando assuntos ligados a suas funções. Prossegue na Rádio Gaúcha , um pouco mais da história da Difusora...


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