ALGUMAS HISTÓRIAS DA RADIODIFUSÃO DO RS


Rádio Difusão no RS






RADIO DIFUSÃO NO RS

 Pelas palavras e memória de Breno Martins Futuro, escrito e datilografado pelo mesmo, antes da facilidade nas publicações  pela internet. 


“Alguns acontecimentos sobre a rádio difusão do RS nas décadas de 40 e 50...” Quanto mais nos afastamos no tempo, fatos pitorescos e marcantes nos empolgam e, curiosamente esclarecem um pouco o quadro atual da rádio difusão que vivemos. Quando a célebre luta de boxe entre Joe Louis e Max Schmelling, em que Hitler pretendia provar ao mundo a superioridade da raça ariana sobre as demais raças humanas (o lutador norte americano era negro), em menos de 1 minuto, logo no primeiro encontro dos pugilistas, Joe Louis com um nocaute bem aplicado derrubou o lutador alemão.
 Estávamos em Mostardas escutando num receptor RCA, a partida irradiada pela Gaúcha, era tanta estática que meu tio colado na escuta e todos nós ansiosos em volta ouvindo o que ele captava no meio daquela descarga toda e interferências, que para os ouvintes em volta, a luta durara uns 10 minutos. Só mais tarde pela chegada do Correio do Povo na localidade, foi que tivemos conhecimento do ocorrido.
 Este era o rádio da época de 29/30. Usou-se muito a galena como recepção. Com habilidade se incidia uma agulha ou estilete nas arestas de uma pedra especial e, por fones conseguia-se ouvir as irradiações musicais das estações.
 O convívio com meu sogro, Arthur Pizoli, homem que liderou no comércio e rádio da época, possibilitou informações e conhecimentos preciosos. Não só foi grande empreendedor como se preocupou em fazer arte, também. Fundou a Casa Bethowen, na Rua dos Andradas, frente à Praça da Alfândega. Promoveu por algum tempo concertos musicais, lançamentos de arte, etc. Como não houve correspondência a esta iniciativa e a venda de instrumentos musicais e partituras não capitalizavam lucros que estimulassem sua expansão, foi dada ao gerente para não fechá-la.
 Sendo um dos principais donos da Casa Coates (casa comercial especializada em eletrodomésticos e similares) percebeu que usando a única emissora então existente na ocasião – Gaúcha – certamente iria colher bom resultado de vendas. O analfabetismo já era um embaraço à publicidade escrita. Então o resultado positivo se fez sentir imediatamente, pois passou a programar suas campanhas de vendas amparado na divulgação radiofônica. Numa das promoções pretendidas lhe foi negado o espaço comercial. Algumas explicações existem; a informação que guardo é que algum elemento mais retrógrado e com poder de decisão, sentindo o crescimento comercial da Coates com estes anúncios se opôs aos mesmos.
 Note-se ter sido a Gaúcha constituída por iniciativa de um grupo de pessoas com a finalidade mais de recrear e promover as artes do que finalidade comercial. Após passar por alguns locais no centro da cidade, suas programações foram tomando corpo e foi compelida a se instalar com estúdios e transmissores nos bairros Moinhos de Vento, na praça em frente à Caixa d’Água. Nestas instalações uma curiosidade chama a atenção; as torres eram de pedaços de madeira com 40/50 cm de comprimento, importadas da Alemanha.




*Alguns registros fotográficos foram copiados do livro
A Músicas que Embalou o Rádio, um projeto AGERT, com a
colaboração de diversos colaboradores, inclusive Breno Futuro, em 2003.

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