RÁDIO CAIÇARA


RÁDIO CAIÇARA

 
 
“Na Caiçara a Música não pára...”
 
   Este refrão ainda é lembrado por quem viveu naquela época. Mas vamos aos fatos;

Com a saída do Kley da Gaúcha, o mesmo com mais dois companheiros: Kuplich e Moreira, iniciaram démarches* para conseguir uma concessão de rádio para a capital. Não eram homens de muita   iniciativa empreendedora e o processo foi tramitando vagarosamente, mas sem maiores dificuldades.

O nome já haviam escolhido, a constituição social aprovada e o sinal estava verde para a efetivação do projeto. O tempo passava e os homens não impulsionavam e nem concretizavam o plano. Com minha saída da Gaúcha, associei-me a eles e tratamos de concretizar o projeto. 
Comprei em Esteio, às margens da estrada que conduz a Gravataí, ótimo terreno para instalação de torres e transmissores, não sendo o mesmo aprovado pelo órgão fiscalizador. Mas não esmorecemos em nossa determinação, em conversações com João Eurico Meneghetti e Rubens Borges Fortes, conseguimos dos mesmos autorização,  para em sistema de comodato, instalar torres e transmissores em sua Fazenda, às margens do rio Gravataí, praticamente na cidade de Esteio.

 Encaminhado o projeto técnico ao Dentel, foi o mesmo aprovado imediatamente. A instalação dos equipamentos de estúdios e transmissores (duas torres   com sistema irradiante perfeito), mas caro, dado as características alagadiças do local.
Estes trabalhos todos foram realizados logo após as obras da rádio Itaí estarem prontas.
 Novamente o velho problema de então; duas emissoras com o mesmo grupo, concorrendo uma com a outra na disputa de anúncio comercial, em uma Praça acanhada e limitada a verbas previamente distribuídas. Havendo muita sintonia nos municípios vizinhos, a solução óbvia era a picaretagem naquelas localidades e assim foi feito, mas com grande desgaste de pessoal.

Somando com as grandes sociedades recreativas locais, grandes festividades sociais foram organizadas e o prefixo da emissora e seu prestigio comercial e de pesquisa junto ao grande público foi crescendo. Já com o controle acionário praticamente em minhas mãos, comecei a sentir ser viável um lugar especial   de sintonia em determinada parcela de público ouvinte.

Devido a algum envolvimento administrativo restado com a Itaí, o mesmo elemento deletéreo que lá atuou, passou a conturbar e perturbar o bom andamento das coisas. Não havia embasamento administrativo nem comercial, o déficit operacional era uma ameaça, sem vislumbrar perspectivas de levar a bom termo o andamento dos negócios, por falta de pessoal capacitado. Desgastado pela luta vivida anteriormente palmilhada de deslealdade e traições, receoso de um novo envolvimento sórdido e contrário a meus princípios, não tendo ao mesmo tempo, descendente direto interessado em acompanhar-me nesta jornada, decidi desfazer-me destes encargos pelos quais não sentia mais ideal de trabalho e realização.

Precipitei a transferência das quotas e controle acionário, facilitando de todas as formas a concretização de negócio. A disponibilidade de dinheiro, do comprador era pequena, não alcançando a cifra estipulada para a entrada inicial, foi armada, então uma composição na qual entrava como parte integrante do pagamento um automóvel velho de marca Karmanguia, com emplacamento embaraçado. O saldo final foi muito facilitado, ficando como compensação destas facilidades todas uma participação  nos eventuais lucros auferidos.

Deve ter havido lucro substancial, pois o adquirente expandiu rapidamente, sendo hoje um de nossos orgulhos, ter entregue em tão boas mãos a oportunidade de dotar o Rio Grande de mais uma rede de emissoras, em OM e FM, inclusive com televisão.

Meus parabéns ao Gadret, enfrentaste todas as dificuldades, inclusive no relacionamento bancário inicial te acompanhei, enfrentando organizações poderosas, o ceticismo dos aficcionados, mas com fibra, iniciativa e muito trabalho tudo venceste!    



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